A comissão técnica da Seleção conta com Neymar para as oitavas de final, mas sua volta vai depender de uma rigorosa avaliação médica. Foto / Neymarjr.com/Reprodução

Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

Na pressa de marcar posição sobre suas escolhas em outro jogo, um bando de internautas navega por aqui destilando ódio contra o jogador Neymar desde que ele machucou o tornozelo no jogo de estreia do Brasil contra a Sérvia. No começo pensei ser iniciativa de meia dúzia de nutellas confundindo alça do caixão com calça sem botão. Ledo engano!

Nada de críticas –mesmo ácidas– ao seu futebol ou ao seu momento no mundo da bola, o que seria compreensível, sendo o Brasil repleto de entendedores da modalidade. Sobre isso as hienas se calam. A corrente é infame e abjeta. Tem até uma jornalista que é taxativa ao dizer que o Brasil não gosta do Neymar! Sabe de onde ela tirou isso? Da bílis.

Ah, mas em 2019 o Brasil foi campeão da Copa América sem ele, justificou-se o autor de um post, sem esconder sua torcida para que o tornozelo do atleta continue inchado até o fim do Mundial. Ora, nem é preciso ser expert para saber que o torneio sul-americano há muito tem péssimo nível, não se comparando ao de uma Copa do Mundo. Uma mistura, portanto, de ignorância com má-fé.

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Não está em análise aqui o Neymar extracampo, de pisadas na bola. Mas querer, por conta disso, tirar sua importância para a Seleção e desejar que ele se dê mal no seu ofício é equivocado e desonesto, para dizer o mínimo. Para saber se ele é importante para o Brasil no Catar bastaria um olhar no retrovisor, uma pesquisa ou até um pouco de boa vontade.

Neymar é fundamental para a Seleção e para qualquer clube de futebol do mundo. O jornalista Paulo Cobos recomenda perguntar ao torcedor do Santos e do Barcelona se Neymar vale o quanto pesa.

“O clube paulista foi de campeão da Libertadores para a total decadência depois que ele foi embora, em 2013. Mais emblemático foi o que aconteceu com o Barcelona depois que Neymar teve a infeliz ideia de trocar o gigante catalão pelo novo-rico PSG, em 2017. O Barcelona ainda tinha Messi, Suárez, Iniesta. E 222 milhões de euros no banco da venda de Neymar para buscar substitutos. Torrou tudo. E o Barcelona nunca mais foi protagonista em competições europeias, acumulando seguidos vexames na Champions League”, escreveu.

Se ainda assim essa gente escrota não se convencer, sugiro que vá aos principais sites de notícias e pesquise sobre o que disse o técnico Tite sobre Neymar quando perguntado se o jogador fez falta no jogo contra a Suíça; ou o zagueiro Marquinhos, na mesma linha de raciocínio.

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Num jogo do Brasileirão o juiz apita em média 33 faltas, na Europa, 27. Só no jogo contra a Sérvia, que o colocou temporariamente fora de combate, Neymar, sozinho, sofreu nove, o que dá 33% da média europeia. Nesse jogo os sérvios fizeram rodízio para “bater” em Neymar. E como diz o ditado, ninguém chuta cachorro morto.

Isso mostra o quanto Neymar chama para si o jogo e assume responsabilidade. Ele parte pra cima, tem drible fácil, inteligência, boa leitura do jogo, criatividade e imprevisibilidade, características que fazem dele um jogador diferenciado, como reconhece o técnico Tite.

Com a bola nos pés ele “chama” a marcação de um, dois e até três adversários, abrindo espaços para a infiltração de companheiros nas cada vez mais sólidas defesas oponentes. Isso ficou visível no lance do primeiro gol brasileiro contra os sérvios, quando a bola lhe foi “roubada” por Vini Jr. e chutada para o goleiro dar rebote.

Num vídeo que circula na Internet o ex-jogador Neto saiu em defesa de Neymar por causa dos ataques que ele vem sofrendo. Sincerão, deixou claro que não tem apreço algum pelo homem Neymar, mas reconhece que, dentro das quatro linhas de jogo, ele é craque. “O que estão fazendo com Neymar é injustiça, é desumano. Sem ele o Brasil não ganha a Copa”, prognosticou o apresentador de Os Donos da Bola.

Já em seu perfil no Twitter, o pentacampeão do mundo Ronaldo Fenômeno exaltou as qualidades do jogador, pediu-lhe foco e lembrou, nas entrelinhas, o provérbio que diz que os cães ladram e a caravana (do hexa) passa.

Apesar da onda negativista sobre o seu principal jogador, acredito piamente que o Brasil vai levantar o caneco no Catar, com Neymar no comando. Nesse dia, essa gente vil terá de se render ao seu talento. O resto é ignorância futebolística ou chilique de quem sabe o que fez no verão passado.

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Caro(a) leitor(a), à proximidade das festas natalinas desejo-lhe um Feliz Natal e um Ano Novo de alegrias e prosperidade. Até os primeiros dias de 2023, quando a gente se vê novamente por aqui.

 

> Carlos José Bueno é jornalista profissional (MTb nº 12.537). Aposentado e no ócio, brinca. Com os netos e as palavras.

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