Lula e o eleitor: o amor está se desfazendo. Foto / Ricardo Stuckert/Presidência da República

Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

Parecia que o presidente Lula (PT) iria surfar em ondas favoráveis durante os quatro anos deste terceiro mandato, principalmente depois das presepadas e amadorismo do seu antecessor Jair Bolsonaro (PL). Mas as pesquisas mais recentes trazem uma má notícia para o petista: o amor está no fim.

Segundo pesquisa do instituto Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (2), a avaliação negativa do presidente saltou de 37% em janeiro, mês do último levantamento, para 41%, enquanto a positiva caiu de 31% para 27%. Outros 29% definiram o governo como regular, ante 28% em janeiro.

O desempenho do governo ficou ainda mais prejudicado na pesquisa: 56% desaprovaram a gestão, sete pontos percentuais a mais que os 49% de janeiro. A aprovação de 41% ficou seis pontos abaixo dos 47% de dois meses atrás.

Embora tenha gente ganhando muito bem para tentar explicar –e reverter– esses números, o colunista se arrisca a apontar alguns motivos: descontrole dos preços dos alimentos, derrota na tentativa de se explicar na crise do pix, início da reforma ministerial com a volta ao governo de nomes dos piores tempos do PT, perda de credibilidade no ministro da Fazenda, Fernando Haddad, entre outros pecadinhos.

Do outro lado, a oposição parece ter acordado para o fato de que descarregar toda a munição nas pautas de costumes contra o governo só retroalimentava seus próprios seguidores. Quando começou a tocar no que é mais sensível no ser humano, o bolso, os estragos em Lula e seu governo começaram a se acentuar.

Como Lula costuma ser teimoso como uma mula na hora de mudar o rumo dos seus governos e aceitar novas ideias, tudo indica que continuará sendo sangrado pela oposição e vendo seus números positivos caírem como cairão as folhas neste outono.

PUBLICIDADE

PONTO A PONTO

Em segredo

Não passou sequer da Comissão de Justiça, Redação e Direitos Humanos da Câmara de SJC o projeto de lei que pretendia implantar o voto aberto na eleição das próximas mesas diretoras. O projeto foi apresentado por sete vereadores, cinco da oposição e dois que estão hoje na base aliada do prefeito Anderson Farias (PSD). A decisão de não levar o projeto a votação em plenário foi tomada por dois membros da comissão, o relator Milton Vieira Filho (Republicanos) e Zé Luiz (PSD). O terceiro membro, Anderson Senna (PL), de oposição, não se manifestou.

A ideia do voto aberto foi uma espécie de revolta contra o descumprimento de um acordo da oposição na eleição de janeiro. Os “vira-casaca” teriam sido os vereadores Renato Santiago (União) e Sidney Campos (PSDB), que foram eleitos pela oposição e agora têm votado com o governo.

APOIO / SUPERBAIRRO

Tabelinha

Como em um dos gols corintianos da dupla Depay e Yuri Alberto, a deputada estadual Leticia Aguiar (PP) e o vereador Anderson Senna (PL) continuam fazendo tabelinhas no jogo político em São José. Desta vez, a dupla entregou ao prefeito Anderson Farias (PSD) um ônibus escolar para se somar à frota municipal. A conta, no valor de R$ 450 mil, foi paga com emenda parlamentar da deputada.

Senna e Leticia com o prefeito Anderson: parceria une Assembleia Legislativa e Câmara. Foto / Divulgação

Petiti contra-ataca

Depois de ver sua popularidade na região da Vila Ema ser questionada por parte dos moradores e por políticos concorrentes, o vereador Fernando Petiti (PSDB) parece ter decidido voltar aos bons tempos em que era uma espécie de unanimidade como representante da região. De início, ele resolveu entrar na “briga” contra a perturbação de sossego que está tirando o sono dos moradores de uma área que concentra bares e adegas em um trecho da avenida Heitor Villa-Lobos. A favor de Petiti, há quem se recorde que ele ficou sem mandato depois de tentar se eleger deputado estadual. Agora, quer recuperar o tempo perdido.

Petiti: foco na perturbação do sossego na Vila Ema. Foto / Flávio Pereira/CMSJC

Joseenses na Paulista

Já está se tornando corriqueiro na política a convocação de atos públicos para “lotar a Paulista”, seja contra, seja a favor, do que quer que seja. Agora, um grupo de políticos joseenses que se dizem bolsonaristas está convocando o povão para viajar com eles até São Paulo no próximo dia 6. Os temas são “anistia já e fora Lula”. Quem convida é Eduardo Cury, que parece estar retornando após a derrota de outubro, e os vereadores Lino Bispo, Thomaz Henrique, Sérgio Camargo, Roberto Chagas e Anderson Senna. Por R$ 60, quem quiser protestar garante um lugar no “bondão”.

Domingão na Paulista: vale a pena entrar neste “bondão”? Foto / Facebook/Reprodução
APOIO / SUPERBAIRRO

 

*Arquivo atualizado às 20h59 do dia 2/4/25 para inclusão de fotografia e revisão ortográfica.