O cheiro do frango assado e dos outros pratos sempre vem à memória. Natal, quando eu era criança, tinha também lembranças inesquecíveis: os brinquedos, tão esperados.
Como esquecer o trenzinho elétrico genuinamente “Made in USA” trazido por um primo que havia passado uma temporada trabalhando na Nasa? Lembro até hoje do cheiro da caixa. Aquilo era o máximo! Anos depois, ganhamos carrinhos de controle remoto (com fio ainda). Fabricados no Japão, duraram muito.
E o autorama Estrela? Não dormimos na véspera, de tanta ansiedade. Também teve o Natal das bicicletas: uma Caloi pra mim e uma Monark para o meu irmão, que delícia! Lá pelos 13, 14 anos, ganhei uma correntinha de ouro com um pequeno crucifixo. Decepção. Ainda queria brinquedo, estava naquela fase de transição.

Mais amadurecido, comecei a entender o sentido desta data, tão ligada à comilança e bens materiais. Ver tanta gente que não tem nem o que comer, que vive em condições absurdas, me fez acordar. Natal é para acolher, estar em família, abraçar quem mais amamos e ajudar o próximo.
No domingo, eu e minha banda –Virtual Jam Band– fizemos uma live solidária para arrecadar fundos para a creche Monteiro Lobato, de Bauru. O show teve como convidados os músicos Hector Costita (sax) e Joseval Paes (guitarra). Foi sensacional, lindo demais. Resultado: conseguimos arrecadar mais de R$ 4 mil para a creche.
Fiz minha parte doando o que mais amo fazer: música. Feliz Natal!
> Henrique Macedo é jornalista (MTb nº 29.028) e músico. Mora há 40 anos na Vila Ema.

