Aldir Blanc
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O Dragão do Mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história nunca esqueceu
Conhecido como Almirante Negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao conduzir pelo mar
O seu bloco das fragatas
Foi saudado no porto
Pelas mocinhas francesas
Jovens polacas
E por batalhões de mulatas
Rubras cascatas
jorravam das costas negros
Pelas pontas das chibatas
Inundando o coração
De toda tripulação
Que a exemplo do marinheiro gritava: não!
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias!
Glória à farofa, à cachaça, às baleias!
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o Almirante Negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas salve
Salve o Almirante Negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo…
*Letra original antes de ser modificada pela censura. A Revolta da Chibata foi um motim de marinheiros da Marinha brasileira que ocorreu entre 22 e 27 de novembro de 1910. O movimento foi motivado pela insatisfação dos marinheiros com os castigos físicos, como as chibatadas, e com o racismo.

Aldir Blanc Mendes foi letrista, compositor, cronista e médico. Abandonou a medicina para tornar-se compositor, sendo considerado um dos grandes letristas da música brasileira. Em 50 anos de atividade como letrista e compositor, foi autor de mais de 600 canções. Nasceu em 2 de setembro de 1946, no Rio de Janeiro (RJ), e morreu em 4 de maio de 2020, no Rio de Janeiro (RJ). Fonte: Wikipédia

> Júlio Ottoboni é jornalista (MTb nº 22.118) desde 1985. Tem pós-graduação em jornalismo científico e atuou nos principais jornais e revistas do eixo São Paulo, Rio e Paraná. Nascido em São José dos Campos, estuda a obra e vida do poeta Cassiano Ricardo. É autor do livro “A Flauta Que Me Roubaram” e tem seus textos publicados em mais de uma dezena de livros, inclusive coletâneas internacionais.