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Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

Talvez você nem tenha percebido, mas, semana passada, minha coluna falhou. Coisa que não é comum em quase um ano de contribuição por aqui. O motivo é que eu passei alguns dias de molho, com dor de cabeça, rinite forte e uma fadiga desanimadora.

Eu não posso afirmar se foi gripe ou ômicron. Confesso que enfrentar filas nas unidades de saúde para tentar conseguir um teste não parecia animador e, entre gastar com um teste de farmácia ou comprar um bom antialérgico, escolhi o remédio.

Fiquei quietinha em casa por sete dias, tomei muito líquido, descansei o que pude. Em três dias já estava bem melhor. Mas só fiquei tranquila porque já tinha tomado inclusive a terceira dose da vacina.

Pausa, agradecida, para dizer: Salve o SUS.

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A covid-19, em suas diversas cepas e adaptações, continua dedicada ao papel de um professor sem clemência. Não aprendeu, brincou na classe? É reprovado. Alguns perdem a vaga no trabalho, outros perdem só uma festa ou viagem enquanto cuidam da saúde, mas outros perdem a vida. Pois é, as pessoas continuam morrendo de covid.

As lições são duras, mas são simples de entender. Usar máscara, lavar sempre as mãos ou higienizar com álcool em gel, manter o distanciamento social e tomar vacina.

É simples, mas não é fácil. Precisa de trabalho em conjunto. Os seres humanos são testados para disciplina, solidariedade, responsabilidade social, paciência e outras tantas capacidades que se encontram há muito tempo soterradas debaixo da avalanche de cobranças por produção econômica, status, consumo desenfreado e outras tantas necessidades criadas pela vida moderna.

Com o planeta transformado em imensa sala de aula, o vírus se faz presente por todos os cantos. Não deixa passar nenhum aluno irresponsável e, como faziam os pais de antigamente, castiga também aqueles que se misturam com os aloprados que não usam máscara, aglomeram ou não acreditam na vacina como prevenção.

Parece uma piada de mau gosto tratar deste assunto após dois anos de pandemia, milhões de mortos e milhares de depoimentos de pessoas que contraíram a doença, mas foram salvas por terem tomado a vacina.

É uma piada de mau gosto se deparar com posts de teoria da conspiração, cada um mais absurdo que o outro, negando a vacina. Mesmo que as redes sociais, embora tardiamente, tenham entrado na batalha para conter a enxurrada de mentiras intencionais, em qualquer lista de comentários que aborda o assunto é possível encontrar inúmeras pessoas pregando o fim do mundo como solução dos problemas. Pois, ao negar a ciência, é isto que estão fazendo.

Dia desses, em um site de uma editora de livros religiosos –não importa a religião, já que os doidos estão bem distribuídos por todas elas–, vi uma enquete perguntando a opinião sobre a vacina para crianças. Curiosa com carteirinha de jornalista, fui conferir a discussão. Fiquei pasma. A maioria dos comentários era de pessoas dizendo que não “arriscariam” seus filhos com uma “vacina experimental”.

Em um único post, estavam presentes centenas de pessoas acometidas por um surto de falta de inteligência. É assustador.

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Quando a pessoa nega a capacidade da ciência de reduzir o tempo de produção de uma vacina, ela está negando até a existência do próprio smartphone que utiliza para escrever isso. Todo ano, novas tecnologias e atualizações de equipamentos digitais chegam ao mercado, em velocidade que fazem os contemporâneos do fax e do videocassete perderem o rumo.

As pessoas aceitam que podem conversar com a geladeira para saber o que falta comprar na feira, mas desconfiam de um produto médico que também é derivado de décadas de experiência no desenvolvimento de outras tantas vacinas. E como tudo mais, é aperfeiçoado com o tempo e pesquisas permanentes.

Somos todos cobaias. Da natureza, do passar do tempo e, acima de tudo, do mercado de consumo. Ávidos por consumir novidades e, quase nunca, perguntamos a origem. Existem pesquisas por aí –ainda não conclusivas–em que estudam se o uso do telefone celular causa câncer. Não vimos ninguém abrindo mão de usar, por medo.

Entender como uma vacina foi criada rapidamente não é um raciocínio difícil de desenvolver. Havia um problema gravíssimo para resolver + equipes de diversas empresas dedicadas a isto + capacidade tecnológica e experiência acumuladas + possibilidade garantida de retorno financeiro para os grandes laboratórios = vacina desenvolvida em tempo recorde. Não tem milagre, nem conspiração. É inteligência em ação. E negar isso é burrice.

Vacinem seus filhos!

 

> Maria D’Arc é jornalista (MTb nº 23.310) há 28 anos, pós-graduada em Comunicação Empresarial. Mora na região sudeste de São José dos Campos. É autora do blog recortesurbanos.com.br.

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